A tilápia tornou-se o peixe mais produzido no Brasil, impulsionada por uma combinação de fatores que inclui sua produtividade, facilidade de criação e significativa demanda de mercado. Mariana Colhado, supervisora técnica e de fomento à piscicultura da Cocari, destaca a relevância dessa espécie no cenário da aquicultura nacional.
“A tilápia tem um crescimento rápido e uma eficiência impressionante na conversão alimentar. Com um ciclo de produção que permite atingir o peso de abate em apenas 8 a 10 meses. Ela é extremamente atrativa para os piscicultores“, afirma. Segundo ela, em média, é necessário apenas 1,5 kg de ração para produzir 1 kg de carne, o que torna a criação economicamente vantajosa.
Resistência da espécie
Outro ponto destacado pela supervisora é a resistência da espécie. “A tilápia é uma espécie rústica, resistente a doenças e tolerante a variações de temperatura, especialmente em faixas entre 20ºC e 30ºC. Ela se adapta bem a diferentes sistemas de cultivo, como viveiros escavados e tanques-rede“, explica. Este fator é muito importante, visto que a espécie se adapta bem a ambientes variados, permitindo que mais produtores se envolvam com a piscicultura.
A aceitação no mercado consumidor é igualmente relevante. “A carne de tilápia é branca, macia, com sabor suave e praticamente isenta de espinhas intramusculares, características que agradam ao paladar brasileiro“, observa Mariana. Essa aceitação garante uma ampla comercialização em supermercados, feiras, restaurantes e até redes de fast-food, além de ter uma crescente demanda no mercado externo, principalmente nos Estados Unidos e Europa.
Investimento e lucratividade
O investimento inicial para a criação de tilápias envolve a construção de represas em terreno apropriado e a implementação de sistemas de abastecimento e drenagem de água. As represas devem conter sistema de abastecimento com água de rio ou mina e sistema de drenagem, para que seja possível ter a renovação de água durante a criação, esgotando toda a água no momento da despesca. Caso a água não venha por gravidade é necessário utilizar uma bomba para mandar água para as represas.
Na sequência, a piscicultura precisa contar com energia elétrica de qualidade, preferencialmente rede trifásica, para tocar os equipamentos de aeração. Tratadores automáticos, sondas de leitura de oxigênio e temperatura também podem ser adquiridos para complementar o exercício da atividade.
Mariana explica que “é imprescindível garantir um manejo adequado de água e energia elétrica de qualidade para suportar os equipamentos de aeração, essenciais para o sucesso da produção“. Equipamentos como geradores de energia também são fundamentais para evitar problemas, especialmente em períodos críticos de produção.
A lucratividade na piscicultura de tilápia pode variar entre 20% e 40% do investimento por ciclo, dependendo do manejo e da comercialização eficaz dos peixes. “Com a orientação adequada e um bom planejamento, a tilápia se mostra uma das atividades mais lucrativas da aquicultura brasileira,” conclui Mariana.
Em resumo, a produção de tilápia no Brasil se destaca por sua facilidade de criação, lucratividade e aceitação no mercado, consolidando-se como líder absoluta na piscicultura nacional.
Com o trabalho de Fomento à Piscicultura, a Cocari presta todo suporte aos integrados para a produção de tilápias, disponibilizando consultoria técnica especializada, além do fornecimento de juvenis e dos serviços de despesca, abate e comercialização por meio da parceria com a Aurora Coop.



