Thaygo Henrique Bara Milani, de 12 anos, faleceu após ser picado por um escorpião-amarelo em Cambará, no norte do Paraná. O acidente ocorreu em sua casa, no momento em que a criança tentava pegar um carrinho de brinquedo atrás do sofá. A picada, que aconteceu no domingo (12), resultou em um quadro grave que levou à morte de Thaygo na noite de segunda-feira (13), após um dia internado no Hospital Universitário de Londrina.
Este caso segue uma série de incidentes na região. Em julho, outra criança, Bernardo Gomes de Oliveira, de 3 anos, também foi vítima de um escorpião-amarelo em Cambará, falecendo após 33 paradas cardíacas. A investigação de sua morte concluiu que a demora no fornecimento do soro antiescorpiônico afetou negativamente o tratamento de saúde. No caso de Thaygo, a falta do antídoto em Cambará foi novamente um fator crítico.
O Atendimento de Emergência
Após ser picado, Thaygo foi atendido no Pronto Socorro Municipal de Cambará, onde recebeu cuidados iniciais. Às 18h36, ele começou a apresentar sintomas graves de envenenamento, como calafrios, náuseas e prostração. O atendimento médico acionou a 19ª Regional de Saúde (RS) para enviar o soro antiescorpiônico, mas devido à gravidade do quadro, a criança foi transferida para o município de Jacarezinho. Durante o trajeto, no entanto, seu estado piorou, e a ambulância retornou a Cambará. Finalmente, seis ampolas de soro foram administradas às 19h30, o que resultou em uma melhoria momentânea.
Às 20h15, Thaygo foi transferido para Londrina, onde ficou internado até a morte. Segundo a Prefeitura de Cambará, o tratamento foi conduzido de acordo com os protocolos médicos, mas o soro só foi aplicado após a chegada do antídoto da 19ª RS.
Falta de Soro e Protocolos de Saúde
O soro antiescorpiônico não é armazenado em Cambará, uma vez que a cidade não possui as condições técnicas adequadas, como câmaras frigoríficas especiais para sua conservação. A Secretaria Municipal de Saúde informou que está em processo de adequação para garantir que o soro seja armazenado localmente no futuro. O secretário interino de Saúde do Paraná, César Neves, ressaltou que o tempo entre a picada e a aplicação do soro foi de 1h30, o que está dentro do esperado em casos de envenenamento por escorpiões.
Além disso, a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Sesa-PR) tem trabalhado em iniciativas de prevenção e combate ao escorpionismo, como a limpeza de terrenos e mutirões para captura de escorpiões, após o aumento de picadas na região.
Medidas de Prevenção
Em julho, após a morte de Bernardo, a Sesa-PR realizou uma busca intensiva por escorpiões na região, encontrando 15 escorpiões no bairro onde a vítima morava. Mais recentemente, um novo mutirão capturou mais de mil escorpiões. Até outubro de 2023, o Paraná registrou 5.170 casos de picada de escorpião, com três mortes. A cidade de Cambará, pertencente à 19ª Regional de Saúde, registrou 423 desses casos.
A Secretaria Municipal de Saúde de Cambará expressou solidariedade à família de Thaygo, e reforçou seu compromisso em melhorar a estrutura de atendimento e os protocolos de prevenção, visando reduzir o risco de novas tragédias como esta.
Investigação
A morte de Thaygo será investigada pela Sesa-PR para apurar todos os detalhes do atendimento e das condições que possam ter influenciado o desfecho. O caso segue em análise, enquanto a população aguarda por mais informações e medidas de prevenção em relação ao escorpionismo na região.




