A defesa das famílias dos quatro cobradores assassinados em Icaraíma, no Paraná, levanta a suspeita de que as vítimas não foram mortas imediatamente durante a emboscada à caminhonete Fiat Toro, mas mantidas em cativeiro e torturadas antes de serem executadas. A hipótese é baseada nos laudos de óbito e em detalhes do caso que chamam a atenção.
De acordo com a advogada Josiane Monteiro, que representa os familiares, além dos disparos de arma de fogo, os atestados de óbito apontam politraumatismo e traumatismo cranioencefálico como causas das mortes. “Acreditamos que eles não morreram dentro da caminhonete, como se pensava inicialmente. Pelos ferimentos relatados, tudo indica que foram submetidos a tortura antes da execução”, disse.
Outro elemento que reforça essa tese é o fato de Rafael, dono da empresa de cobranças contratada por Alencar, uma das vítimas, ter escondido o RG dentro do calçado. Para a defesa, o gesto pode ter sido uma tentativa de garantir a identificação do corpo em caso de morte.
A preservação dos corpos também gerou questionamentos. As vítimas ficaram 45 dias desaparecidas, mas, segundo a advogada, os cadáveres estavam em condições melhores do que o esperado. A Polícia Civil já requisitou um exame para avaliar se o solo arenoso, onde os corpos foram encontrados enterrados, poderia ter conservado os restos mortais por tanto tempo. Josiane Monteiro destacou ainda que a família acreditava que os cobradores haviam morrido rapidamente durante a emboscada, sem sofrer. A descoberta dos múltiplos traumas mudou a percepção sobre o crime. “Foi um choque muito grande. Nós sabíamos da crueldade desses criminosos, mas não imaginávamos que as vítimas seriam torturadas antes de serem executadas”, afirmou. Os quatro homens desapareceram após caírem em uma emboscada em julho. Estojos de diferentes calibres foram encontrados próximos ao local onde a caminhonete foi interceptada. A empresa de cobranças de Rafael, uma das vítimas, era legalizada e atuava havia 13 anos.




