Um tornado de categoria 2 inédito atingiu Maringá, no norte do Paraná, e deixou um rastro de destruição em cerca de 40% da cidade. Com ventos pontuais estimados em até 250 km/h, o fenômeno arrancou telhados, derrubou centenas de árvores e postes, danificou residências, empresas e prédios públicos e provocou um apagão em milhares de imóveis. A dimensão dos estragos levou à decretação de calamidade pública e à mobilização de mais de mil pessoas para recuperar a cidade. A operação já apresenta resultados: mais de 38 mil unidades consumidoras tiveram a energia restabelecida, o abastecimento de água foi retomado e serviços de saúde e educação começam a recuperar o funcionamento.
A ocorrência do tornado foi identificada pelo Observatório de Tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), após análise de imagens de satélite, radares meteorológicos e danos registrados no município. Estações meteorológicas mediram rajadas de até 250 km/h.
Os estragos atingiram bairros residenciais, avenidas e áreas industriais. Foram registradas 363 ocorrências de queda de árvores, e mais de 600 famílias receberam lonas para proteger imóveis danificados. Até mesmo o quartel do Corpo de Bombeiros teve parte da cobertura arrancada. A Copel contabilizou 174 postes quebrados, além de cabos e equipamentos destruídos.
Mais de mil pessoas trabalham na reconstrução
A força-tarefa reúne equipes da Prefeitura, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Copel, Sanepar, instituições parceiras e profissionais enviados por outros municípios do Paraná. São 47 equipes municipais nas ruas, com apoio de mais de 200 voluntários, além dos profissionais responsáveis pela recuperação dos serviços essenciais.
“Nosso foco agora é devolver a normalidade para Maringá. Estamos trabalhando para restabelecer os serviços, recuperar os espaços atingidos e garantir que a população possa retomar sua rotina o mais rápido possível. Essa é a nossa prioridade neste momento”, afirma o prefeito Silvio Barros.
A rede elétrica concentra parte importante dos esforços. Segundo a Copel, mais de 38 mil unidades consumidoras de Maringá já tiveram o fornecimento restabelecido. No balanço divulgado no fim da manhã desta terça-feira (3), outras 48,8 mil permaneciam sem energia. A concessionária trabalha na substituição de postes, recuperação de cabos e reconstrução dos trechos mais afetados da rede, com reforço de equipes de outras cidades. O abastecimento de água foi restabelecido pela Sanepar. As equipes continuam os trabalhos necessários à normalização do serviço em toda a cidade.
Saúde, escolas e transporte retomam atividades
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Norte, que teve o funcionamento interrompido pela falta de energia, já retomou os atendimentos. A UPA Zona Sul e o Hospital Municipal mantiveram as atividades. Das 36 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), 22 funcionam normalmente e 14 ainda apresentam restrições relacionadas à falta de energia, água, comunicação ou danos estruturais. Todas as vacinas armazenadas na rede municipal foram preservadas.
Na educação, uma das cinco escolas municipais que tiveram as aulas suspensas já retomou o atendimento. As outras quatro permanecem temporariamente fechadas para recuperação das condições de funcionamento. As demais escolas e os Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) seguem com atividades regulares. O transporte coletivo opera com 100% da frota disponível, embora algumas linhas ainda precisem realizar desvios devido a árvores, postes e outros obstáculos nas vias.
Famílias e empresas recebem apoio para reconstrução
A Secretaria Municipal de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa acompanha as famílias atingidas e identifica as necessidades de atendimento. Além da distribuição emergencial de lonas, a Prefeitura articula medidas para auxiliar na recuperação das residências, incluindo a possibilidade de fornecimento de materiais de construção.
Empresas afetadas poderão receber orientação técnica, com apoio de engenheiros municipais na elaboração de laudos sobre danos em edificações e equipamentos, conforme os procedimentos estabelecidos. O levantamento dos prejuízos servirá de base para a solicitação de recursos ao Governo Federal. O deputado federal Ricardo Barros participa das articulações junto aos ministérios para viabilizar apoio à recuperação de Maringá.
A Prefeitura também disponibilizou um cadastro para voluntários e empresas interessadas em contribuir com profissionais, máquinas, caminhões e equipamentos. Não há solicitação oficial de doações em dinheiro.
Maringá mantém programação de Natal apesar dos estragos
Mesmo após o tornado, Maringá mantém a programação da “Maringá Encantada 2026”, com abertura prevista para 14 de novembro. A decisão ocorre em meio à recuperação dos espaços públicos e da infraestrutura da cidade. A montagem das estruturas natalinas permanece sujeita às avaliações técnicas e às condições de segurança.
A manutenção da programação marca uma perspectiva de retomada das atividades do município, sem interromper os esforços emergenciais de reconstrução e assistência à população.




