O outono chega com desafios e oportunidades para a agricultura

Março marca a transição do verão para o outono, trazendo mudanças climáticas que impactam diretamente a produção agrícola. Para enfrentar esse período com segurança e garantir bons resultados, é essencial estar atento às condições do clima e investir no manejo adequado do solo. O engenheiro agrônomo Celso Daniel, do IDR-Paraná, reforça a importância de um planejamento estratégico. “Um bom manejo dos solos pode amenizar os efeitos indesejáveis do clima e melhorar as expectativas para a agricultura”, destaca.
Mudanças climáticas e impacto nas lavouras
A transição de La Niña para El Niño traz oscilações no padrão de chuvas, o que pode resultar em irregularidades na distribuição hídrica. “Todos os modelos matemáticos indicam que essa instabilidade deve continuar até setembro, mas sem garantia de regularização total”, explica Celso. Isso significa que algumas regiões podem enfrentar longos períodos de estiagem, enquanto outras podem registrar chuvas excessivas.
Diante desse cenário, o manejo adequado do solo se torna uma ferramenta estratégica para mitigar os impactos climáticos. “Não podemos controlar o clima, mas podemos adotar práticas que minimizem seus efeitos, como o uso de técnicas mecânicas e biológicas para conservar a umidade e melhorar a estrutura do solo”, reforça o especialista.
Planejamento e boas práticas para um outono produtivo
A escolha das culturas e o manejo do solo fazem toda a diferença para o sucesso da safra. Celso destaca que a rotação de culturas é uma das principais estratégias para enfrentar desafios climáticos. “O trigo e o milho safrinha são opções viáveis em algumas regiões, desde que sejam plantados dentro das janelas recomendadas pelo Zoneamento de Risco Climático (ZARC)”, orienta.
Para melhorar a estrutura do solo e evitar perdas, ele recomenda o plantio de espécies que auxiliam no controle de nematoides e na retenção de umidade. “Até o final de março, ainda é possível cultivar braquiárias, milhetos e crotalárias. Já entre abril e maio, aveias pretas e brancas, nabos, triticales e centeios podem ser boas alternativas”, sugere.
Expectativas para o clima e apoio ao produtor
A meteorologista Nadiara Pereira, do Climatempo, alerta que o outono deve ser um pouco mais seco, com chuvas espaçadas e temperaturas elevadas até o início de abril. “Em algumas regiões do Paraná, os volumes de chuva podem ficar abaixo da média. Além disso, há risco de picos de calor de até 32°C”, afirma. No entanto, a partir da segunda quinzena de abril, as temperaturas tendem a oscilar, podendo trazer um outono mais frio em relação ao ano anterior, com riscos de geadas no final de maio e início de junho.
Para enfrentar os desafios da estação, é essencial contar com informação e suporte técnico. Os cooperados da Cocari têm à disposição orientação especializada e soluções sustentáveis para potencializar a produtividade e garantir uma colheita segura, independentemente das condições climáticas.