Jovens representam 61,8% dos diagnósticos de Covid-19 no Paraná: ‘Tive medo de morrer’

 Jovens representam 61,8% dos diagnósticos de Covid-19 no Paraná: ‘Tive medo de morrer’

Cenário de uma das situações mais críticas da pandemia do novo coronavírus no Paraná, Cascavel, no oeste do estado, vive a expansão da doença entre os jovens. Segundo o médico Rodrigo Nicácio, a mutação amazônica, conhecida como P1, tem desenvolvido nos jovens uma infecção muito mais grave.

“Pessoas mais novas têm sofrido com pneumonia precoce, sintomas mais precoces, insuficiência respiratória e necessidade de entubação, afirma Nicácio”

Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa-PR) mostram que, até quarta-feira (10), eram 455.355 casos confirmados entre pessoas de 29 a 49 anos, contra 192.957 casos entre pessoas com 50 a 79 anos. Ao se considerar 736.625 casos confirmados de Covid-19 no estado, os jovens representam 61,8%.

“É um padrão que a gente não estava acostumado a ver, mas que os serviços precisaram se adaptar a esse novo momento de entubar, transferir e cuidar de jovens. Hoje não há limite. Em teoria, todos estamos expostos, talvez em absoluto pé de igualdade”, alertou o médico.

Quanto aos óbitos, o número estadual inverte. São 8.392 mortes de pessoas do grupo entre 50 e 79 anos, contra 1.799 mortes do grupo de pessoas com 29 a 49 anos. Ao todo, 12.954 morreram da doença.

Com aglomerações, festas e, muitas vezes, falta de cuidado, os jovens viraram alvos fáceis para a doença, na avaliação dos profissionais da saúde.

Em Cascavel, em dois dias, duas pessoas com 22 anos, sem nenhuma comorbidade, morreram contaminadas pela Covid-19. No caso da jovem Jéssica Martins, 25 anos, estar viva hoje é uma chance que recebeu.

“Foi muito complexo, tive muito medo de morrer. Estava com força de vontade, pedi para o médico que queria me casar, mas estava com medo de morrer”, disse a jovem.

Jéssica ficou duas semanas entubada, dois dias na UTI. Quando se contaminou, a noiva da jovem disse que elas não pensaram que o vírus seria tão traiçoeiro assim.

“Quando ela começou a ficar sem ar, imaginei que poderia ficar alguns dias internada, mas de precisar do respirador, entubada, sedada, por 14 dias, jamais imaginei. Cada noite eu respirava aliviada por não ter nenhuma chamada do hospital”, disse Letícia Kleinibing.

“Tem muita gente da minha idade que está fazendo festa, saindo, e as pessoas têm que tomar consciência disso. Não desejo que nenhum pai passe o que os meus pais passaram. Sou muito grata por estar viva, porque ganhei uma segunda chance de viver, mas tem muita gente que não vai dar a mesma chance que eu”.

Nem todo mundo consegue se recuperar. Nilson tinha 46 anos e na última vez que falou com a filha, ele disse que estava indo para UTI. O homem morreu dois dias depois.

“Essa doença não escolhe idade, não escolhe nada. Ela vem e leva mesmo. Meu pai era muito forte, nunca ficou doente, era saudável. Não vai ser fácil, sabe? Vai fazer muita falta”, disse Daiane.

As informações são do portal G1 da Rede Globo.

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