O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia criminal nesta quinta-feira, 6 de agosto, contra 15 policiais e ex-policiais militares investigados no âmbito da Operação Mar Vermelho III. A ação penal é fruto de investigação realizada em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado do Paraná.
Áudio do Promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado
A apuração teve início a partir da investigação da morte do líder de uma organização criminosa em agosto de 2021. Com o aprofundamento das diligências, identificou-se um complexo esquema de roubos simulados e receptação de cargas de alto valor agregado, como commodities agrícolas, óleo vegetal e materiais ferrosos.
Fraudes – De acordo com as investigações, o grupo operava por meio de diferentes núcleos de atuação, e os militares envolvidos integravam o núcleo policial da organização. Os agentes utilizavam credenciais de acesso restrito para registrar boletins de ocorrência fraudulentos no sistema informatizado da Secretaria de Estado da Segurança Pública, inserindo dados falsos sobre supostos roubos à mão armada com restrição de liberdade dos motoristas. O objetivo era dar aparência de licitude ao desvio de mercadorias milionárias, garantindo a impunidade do esquema mediante o recebimento de vantagens indevidas e propinas.
Foram imputados aos acusados, na denúncia, os crimes de integração de organização criminosa (Lei 12.850/2013), corrupção ativa e corrupção passiva (Código Penal Militar), peculato eletrônico (Código Penal) e furto qualificado (Código Penal Militar).
Além da responsabilização penal, o Ministério Público requereu à Justiça a decretação da perda dos postos, patentes e funções públicas dos envolvidos, a fixação cumulativa de valor mínimo para reparação de danos materiais e o pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 100 mil para cada um dos denunciados.




