O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou nesta quinta-feira, 11 de junho, três pessoas investigadas a partir da Operação Diarquia, deflagrada em dezembro do ano passado para investigar delitos relacionados ao “jogo do bicho” em Arapongas, no Norte Central do estado. A denúncia aponta os crimes de organização criminosa e lavagem de ativos de forma reiterada (por 11 vezes).
Áudio do Promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado
A partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos na operação, que teve como um dos alvos um ex-presidente da Câmara de Vereadores de Arapongas, o Gaeco identificou a existência de um sócio oculto que exercia a liderança e o controle financeiro do esquema criminoso. Apurou-se que a organização mantinha uma estrutura empresarial de “plantões” em que os líderes se revezavam mensalmente na administração da banca, arcando com custos e dividindo os lucros. Planilhas e conversas obtidas indicam que a banca controlava ao menos 257 pontos de aposta, com uma arrecadação capaz de gerar um lucro líquido anual estimado em R$ 8 milhões. O monopólio da atividade era exercido pela autointitulada “Banca União”.
Altos valores – A dimensão financeira da organização alcançava patamares milionários. Para dissimular a origem ilícita dos valores, a cúpula do esquema empregava diferentes modos de “lavar” de dinheiro, valendo-se de subfaturamento imobiliário, empresas de fachada e cooptação de familiares para atuarem como “testas de ferro”, além da conversão do capital ilícito em ativos virtuais (criptomoedas) custodiados em carteiras físicas off-line. A impunidade e prosperidade do grupo eram garantidas por uma estruturada rede de proteção, viabilizada pelo pagamento sistemático de propinas a agentes públicos da região.
Na denúncia, além da condenação às penas previstas para os crimes apontados, o Ministério Público solicitou a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza, bem como de atuação na direção ou gerência de pessoas jurídicas por parte dos réus, e a fixação de indenização por danos morais coletivos no patamar mínimo de um milhão de reais. Também requereu o perdimento definitivo de um vasto patrimônio amealhado e “lavado” pelos denunciados. Os bens e valores bloqueados englobam: oito imóveis em Arapongas, apartamentos e vagas de garagem em Londrina, Florianópolis (SC) e Itapema (SC), direitos contratuais sobre 16 apartamentos de luxo, três aeronaves, dois automóveis de passeio, ativos virtuais e valores em espécie apreendidos durante o cumprimento dos mandados, totalizando R$ 74.761,00.




