O prefeito de Mauá da Serra, Givanildo Lopes, convocou uma coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (12) para tratar da polêmica envolvendo a instalação da praça de pedágio no município. Ao lado do vice-prefeito Lei Machado e do presidente da Câmara, vereador Luciano “Faísca”, o gestor anunciou a realização de uma manifestação pacífica na próxima semana.
O ato está marcado para quarta-feira (18), feriado de Quarta-Feira de Cinzas, com início às 9h e previsão de encerramento ao meio-dia. A concentração será às margens da rodovia, nas proximidades do Restaurante do Babu e do Moranguinho. Segundo o prefeito, não haverá bloqueio das pistas.
Divisão geográfica e impacto social
De acordo com Givanildo Lopes, a atual localização da praça de cobrança “praticamente divide o município ao meio”, afetando diretamente moradores da região da Serra do Cadeado e de áreas rurais próximas. Para acessar serviços básicos na área urbana — como posto de saúde, farmácia e supermercado — os moradores precisam pagar a tarifa integral do pedágio.
A administração municipal defende que a praça deveria ser instalada após a descida da Serra, na região do Rio Preto, onde, segundo o prefeito, o impacto social seria menor.
“Nós precisamos ser ouvidos, precisamos que a nossa voz chegue até Curitiba e Brasília. É uma situação aprovada em 2021 que estamos tentando mitigar”, declarou.
Questionamentos sobre modelo de cobrança
Durante a entrevista, o prefeito criticou o modelo de cobrança aplicado. Segundo ele, a proposta inicial previa o sistema “Free Flow”, com pagamento por quilômetro rodado, estimado em R$ 0,08 por quilômetro. No entanto, atualmente os usuários enfrentam a cobrança de tarifa cheia, que ultrapassa R$ 12,00.
“Isso no bolso de quem mais precisa é um impacto muito grande”, afirmou.
Limitações financeiras e responsabilidade fiscal
Questionado sobre a possibilidade de o município conceder algum tipo de subsídio ou isenção, o prefeito explicou que a medida é complexa do ponto de vista fiscal. Atualmente, o município recebe cerca de R$ 250 mil mensais em ISS provenientes do pedágio, recurso utilizado para custear despesas em áreas como saúde, merenda escolar e serviços essenciais.
Segundo ele, abrir mão dessa receita sem um estudo técnico aprofundado pode configurar crime de responsabilidade fiscal e comprometer a oferta de serviços básicos. “Não é uma situação fácil de ‘tira o dinheiro do pedágio’. Se eu fizer um cálculo errado, vai faltar recurso para o medicamento”, alertou.
Segurança e apoio institucional
A segurança do ato contará com reforço de três viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além do apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal. A orientação da organização é para que os participantes estacionem os veículos na estrada de acesso à Colônia Fuji e ao aterro sanitário, evitando obstruções na rodovia principal.
O prefeito também informou ter sido procurado pela concessionária CCR, que alertou para possíveis medidas judiciais em caso de danos ao patrimônio. Ainda assim, reforçou que a manifestação é um direito constitucional, desde que realizada de forma ordeira.
O presidente da Câmara e o vice-prefeito reiteraram o apoio do Legislativo à mobilização, destacando a união política em defesa dos moradores e a busca por uma revisão na localização ou no modelo de cobrança do pedágio que, segundo eles, tem penalizado a comunidade local.




