Familiares das vítimas da Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro, denunciaram nesta quinta-feira (30) a demora na liberação dos corpos e a falta de informações por parte das autoridades. O Instituto Médico Legal (IML) da capital está dedicado exclusivamente à identificação das vítimas — 121 mortos no total, incluindo quatro policiais — e o atendimento às famílias ocorre em um posto montado ao lado do órgão.
Parentes relataram angústia e desespero diante da espera. Samuel Peçanha procura o corpo do filho Michel, de 14 anos, desaparecido desde o dia da operação. Lívia de Oliveira tenta há dias a liberação do corpo do marido, Douglas, e afirma que a espera é “agoniante”. Já os pais de Yago Ravel, de 19 anos, conseguiram reconhecer o corpo do filho — encontrado decapitado — apenas após a intervenção de deputados.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, afirmou que a identificação das vítimas deve ser concluída até o fim de semana. Segundo ele, cerca de 100 corpos já foram identificados, mas os nomes ainda não foram divulgados.
Além da burocracia, as famílias enfrentam dificuldades financeiras para o sepultamento. A prefeitura oferece enterros gratuitos, mas sem velório e com caixão fechado. A Defensoria Pública montou um posto no IML para orientar sobre o serviço e buscar alternativas para garantir uma despedida mais digna.
A Operação Contenção, considerada a maior e mais letal dos últimos 15 anos no estado, mobilizou 2,5 mil policiais e resultou em 113 prisões, 118 armas apreendidas e 1 tonelada de drogas recolhida. A ação, que visava conter o avanço do Comando Vermelho, também provocou pânico em várias regiões, com tiroteios, fechamento de escolas, comércios e postos de saúde.




